Resposta directa
São implantes longos, de dimensões superiores aos implantes convencionais, que obtêm ancoragem no osso zigomático em vez do maxilar. Permitem suportar uma prótese fixa em maxilas onde já não existe osso em quantidade suficiente para implantes convencionais, dispensando regeneração óssea extensa.
O osso zigomático, também designado osso malar, não faz parte do processo alveolar — a porção do maxilar que aloja as raízes dos dentes e que se reabsorve depois de estes se perderem. Mantém por isso o seu volume independentemente da presença de dentes, e permanece disponível quando o suporte maxilar já se perdeu. É esse o princípio em que a técnica assenta.
A qualidade do osso acompanha esta disponibilidade. Um estudo de microtomografia computorizada comparou, nas mesmas maxilas atróficas, os diferentes locais de ancoragem possíveis, e concluiu que o osso zigomático oferece um leito implantar equivalente ao do setor anterior do maxilar e superior ao do setor posterior [2] — que é justamente a região onde a atrofia e a expansão do seio maxilar mais limitam a colocação de implantes convencionais.
Os resultados clínicos acompanham este fundamento. Uma revisão de revisões sistemáticas reportou taxas de sobrevivência entre 95,2% e 100% em maxilas atróficas [1]. Na configuração quad zygoma, uma meta-análise que reuniu onze estudos e 166 pacientes reportou uma sobrevivência agregada de 98% (IC 95%: 97–99%) [3].
As diferenças relevantes situam-se no comprimento do implante e no trajeto percorrido até à sua fixação na estrutura óssea. Um implante convencional mede tipicamente entre 8 e 15 milímetros e é colocado no osso maxilar. Um implante zigomático tem dimensões superiores, podendo chegar aos 55 milímetros: atravessa a maxila e obtém ancoragem no corpo do zigoma.
Do ponto de vista do paciente, o resultado final não difere de uma reabilitação sobre implantes convencionais.
O número de implantes zigomáticos necessários à reabilitação depende do osso remanescente no maxilar. Consoante a distribuição dessa estrutura óssea, implantes convencionais e implantes zigomáticos podem combinar-se na mesma reabilitação.
O padrão mais frequente de atrofia do maxilar é a falta de estrutura óssea no setor posterior, subsistindo remanescente ósseo no setor anterior. Nestes casos colocam-se habitualmente dois implantes zigomáticos, um de cada lado, associados a implantes convencionais na região anterior.
Quando a deficiência é muito severa e o osso maxilar é de tal modo residual que não permite a colocação de implantes convencionais, recorre-se à configuração quad zygoma: quatro implantes zigomáticos, dois ancorados em cada osso zigomático, sobre os quais assenta integralmente a reabilitação.
Em determinadas anatomias, a ancoragem zigomática é combinada com implantes pterigoideus ou transnasais, de modo a distribuir o suporte da prótese ao longo da arcada [4].
Enquadramento histórico
A ancoragem zigomática foi desenvolvida na década de noventa por Per-Ingvar Brånemark, o investigador responsável pela introdução da implantologia osteointegrada moderna. Dispõe, por isso, de literatura científica acumulada ao longo de várias décadas.
Trata-se de uma cirurgia avançada de reabilitação de maxilares atróficos, realizada habitualmente sob sedação, com anestesia local.
Assenta num planeamento rigoroso, elaborado previamente sobre tomografia computorizada de feixe cónico — CBCT —, a partir da qual é possível obter modelos tridimensionais da anatomia do paciente. É esse estudo que define, antes da intervenção, o trajeto de cada implante e a sua relação com as estruturas anatómicas da região.
A instalação de uma prótese fixa provisória nas horas subsequentes à cirurgia é o objetivo deste tipo de procedimento. A prótese definitiva é executada posteriormente, uma vez confirmada a osteointegração.
Referências
A indicação determina-se por avaliação imagiológica, caso a caso.
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