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Facetas em resina ou em cerâmica: qual a diferença?

Resposta directa

A principal diferença está na resistência, na estabilidade da cor e do brilho ao longo dos anos, na forma como cada material se repara e no custo. A cerâmica apresenta maior estabilidade de cor e de brilho, e maior resistência física. Por outro lado, a resina composta tem habitualmente um custo inferior e permite reparações mais simples em boca.

Ambas podem melhorar a forma, a cor e as proporções dos dentes. A escolha depende da alteração pretendida, da estrutura dentária disponível, da mordida e do que cada paciente pretende. Na minha prática, quando a estabilidade estética ao longo dos anos tem peso na decisão, tendo a privilegiar a cerâmica — desde que exista indicação clínica.

Quais são as principais diferenças

Facetas em cerâmicaFacetas em resina composta
ExecuçãoProduzidas à medida em laboratório e aderidas ao dentePodem ser construídas directamente sobre o dente, ou produzidas em laboratório por técnica indirecta
Cor e brilhoMais estáveis ao longo do tempoMais susceptíveis a alterações de cor e a perda de brilho
PigmentaçãoElevada resistência à pigmentação, pela baixa porosidade da superfícieMais susceptíveis à pigmentação
ResistênciaMais elevada — consoante o tipo de cerâmica, três a cinco vezes mais resistente do que o compósito [6][7]É o menos resistente destes materiais [6]
ManutençãoExigem menos manutenção do que as facetas em resina compostaNecessitam de polimento, ajustes ou reparações ao longo do tempo
ReparaçãoPossível em situações seleccionadas; danos extensos podem exigir substituiçãoGeralmente mais simples de reparar directamente na boca
Custo inicialHabitualmente mais elevadoHabitualmente mais baixo

O que dizem os estudos que compararam os dois materiais

Vamos analisar dois estudos clínicos que compararam a cerâmica e a resina composta de forma directa, com seguimento de dez anos.

Num ensaio clínico aleatorizado de boca dividida, com 48 facetas colocadas nos dentes anteriores superiores, a sobrevivência acumulada aos dez anos foi de 100% para as facetas cerâmicas e de 75% para as facetas em compósito indirecto. Nas facetas que se mantiveram em função, a correspondência de cor, a rugosidade da superfície, a fractura e o desgaste foram significativamente menos favoráveis no compósito [2].

Um estudo de prática clínica analisou 1.459 facetas em 341 pacientes ao longo de dez anos. A taxa de falha anual foi de 1,2% na cerâmica e de 4,1% no compósito directo; o risco de falha foi cerca de quatro vezes superior no compósito [3].

Um ensaio aleatorizado a dois anos comparou 60 facetas em compósito directo com 60 facetas em cerâmica, no encerramento de diastemas. A sobrevivência foi estatisticamente semelhante — 93,4% no compósito e 95% na cerâmica — mas as alterações de superfície foram claramente mais frequentes no compósito: pigmentação em 11 facetas e rugosidade em 14 [5].

São desenhos de estudo diferentes, com materiais e técnicas específicos. Apontam ambos no mesmo sentido, mas não permitem generalizar a todos os compósitos nem a todas as cerâmicas.

As facetas em resina ficam manchadas?

A resina composta é mais susceptível a pigmentação e a alterações da superfície. A intensidade dessas alterações depende do material, do acabamento, da higiene e dos hábitos do paciente.

A revisão sobre facetas em compósito identificou a rugosidade da superfície, o desajuste de cor e a descoloração das margens como as complicações mais reportadas [1]. Isso não significa que todas as facetas desenvolvam alterações visíveis no mesmo prazo.

Algumas alterações superficiais podem ser corrigidas com polimento. Outras podem exigir reparação ou substituição.

As facetas em cerâmica mantêm sempre a mesma cor?

A cerâmica apresenta elevada estabilidade de cor, devido ao baixo grau de porosidade do material.

Em estudos laboratoriais, amostras de cerâmica imersas em soluções pigmentadas — o café e o vinho tinto foram as de maior potencial — podem apresentar uma ligeira variação de cor, na maioria dos casos dentro de valores clinicamente aceitáveis [4]. Trata-se, porém, de imersão prolongada e contínua, um regime que não corresponde ao contacto intermitente que existe em boca. Extrapolado para a realidade clínica, o efeito é praticamente imperceptível.

Comparativamente com as facetas em resina composta, podemos considerar que a alteração de cor de uma faceta cerâmica não é perceptível ao longo do tempo, considerando-se por isso um material de elevada estabilidade de cor. Numa faceta em resina composta, essa alteração é visível e exige manutenção — polimento e, em casos mais extremos, a substituição da faceta — devido à maior porosidade e absorção de água do material.

Ainda assim, as consultas de controlo são necessárias com ambos os materiais, para que essa estabilidade se mantenha.

Quando faz sentido escolher a resina composta

A resina composta pode ser uma boa opção para corrigir pequenas fracturas, modificar a forma dos dentes ou fechar espaços, quando a posição dentária e a mordida o permitem.

Pode também ser útil quando se pretende uma abordagem que permita ajustes e reparações futuras com facilidade, incluindo em pacientes jovens, cujos dentes e gengivas ainda estão a mudar de posição. O custo inicial é outro factor a ter em conta no momento da decisão.

A resina composta não pode, no entanto, ser considerada uma solução definitiva. Pode manter-se em função durante vários anos, mas necessita de manutenção e, previsivelmente, de substituição no futuro. O que importa é que o paciente conheça essa manutenção e que o tratamento seja o adequado aos seus dentes.

Quando prefiro a cerâmica

Tendo a preferir a cerâmica quando é necessário alterar a cor e a forma de vários dentes e a estabilidade estética tem um peso importante na decisão.

Essa preferência depende sempre da avaliação clínica. Considero sempre a quantidade de esmalte disponível, a quantidade de estrutura dentária, as forças da mordida e a presença de bruxismo.

Dentro das próprias cerâmicas, a escolha é igualmente individual: a espessura disponível, a cor do dente e as exigências mecânicas e estéticas ajudam a decidir qual o material mais adequado.

Uma nota sobre a escolha da cerâmica

Existem vários tipos de cerâmica — entre eles as cerâmicas feldspáticas, os silicatos de lítio e as zircónias, incluindo as zircónias de última geração, de elevada translucidez. A escolha do material é uma decisão clínica, tomada pelo médico dentista em função das características de cada caso.

Se uma faceta partir, pode ser reparada?

As facetas em resina são geralmente mais simples de reparar: muitas vezes é possível acrescentar compósito e recuperar a forma directamente na boca.

Na cerâmica, pequenos danos podem permitir uma reparação; uma fractura extensa pode tornar necessária a substituição.

Deve, no entanto, ter-se em conta que a maior resistência da cerâmica torna a sua fractura menos provável do que a de uma faceta em resina composta. No ensaio aleatorizado a dez anos atrás citado, todas as falhas registadas — descolamentos e fracturas — ocorreram no grupo do compósito [2]. É essa diferença que está por trás dos bons resultados da cerâmica a longo prazo.

Antes de decidir, é importante identificar a causa do problema e avaliar tanto a faceta como o dente que a suporta.

Qual é a melhor opção para o meu caso?

A decisão deve considerar o resultado pretendido, a preservação do dente e os cuidados ao longo dos anos.

É importante que exista uma consulta de avaliação, na qual se faça uma análise estética e funcional, incluindo da mordida, para perceber qual o material mais indicado e quantos dentes deve englobar a reabilitação — de modo a que o resultado seja o mais previsível e duradouro possível.

Nessa consulta explico a razão da minha proposta, as alternativas e a manutenção previsível. O paciente deve perceber tanto o que cada material permite alcançar como aquilo que poderá vir a exigir no futuro.

Dr. Gonçalo Jesus Médico dentista · Cédula profissional OMD n.º 10234 Atualizado em Setembro de 2026

Referências

  1. Lim TW, Tan SK, Li KY, Burrow MF. Survival and complication rates of resin composite laminate veneers: a systematic review and meta-analysis. J Evid Based Dent Pract. 2023;23(4):101911. doi:10.1016/j.jebdp.2023.101911 · PMID 38035903
  2. Gresnigt MMM, Cune MS, Jansen K, van der Made SAM, Özcan M. Randomized clinical trial on indirect resin composite and ceramic laminate veneers: up to 10-year findings. J Dent. 2019;86:102–109. doi:10.1016/j.jdent.2019.06.001 · PMID 31181242
  3. Mazzetti T, Collares K, Rodolfo B, da Rosa Rodolpho PA, van de Sande FH, Cenci MS. 10-year practice-based evaluation of ceramic and direct composite veneers. Dent Mater. 2022;38(5):898–906. doi:10.1016/j.dental.2022.03.007 · PMID 35379471
  4. Alencar CM, Zaniboni JF, Silva AM, Ortiz MIG, Lima DANL, de Campos EA. Impact of finishing protocols on color stability of CAD/CAM ceramics: a systematic review. Int J Prosthodont. 2022;35(1):109–118. doi:10.11607/ijp.7052 · PMID 33651023
  5. Elkaffas AA, Alshehri A, Alqahtani AR, Abuelqomsan MA, Deeban YAM, Albaijan RS, Alanazi KK, Almudahi AF. Randomized clinical trial on direct composite and indirect ceramic laminate veneers in multiple diastema closure cases: two-year follow-up. Materials (Basel). 2024;17(14):3514. doi:10.3390/ma17143514 · PMID 39063806
  6. Okada R, Asakura M, Ando A, Kumano H, Ban S, Kawai T, Takebe J. Fracture strength testing of crowns made of CAD/CAM composite resins. J Prosthodont Res. 2018;62(3):287–292. doi:10.1016/j.jpor.2017.10.003 · PMID 29605190
  7. Fathy SM, Al-Zordk W, E Grawish M, V Swain M. Flexural strength and translucency characterization of aesthetic monolithic zirconia and relevance to clinical indications: a systematic review. Dent Mater. 2021;37(4):711–730. doi:10.1016/j.dental.2021.01.022 · PMID 33581910

Referências obtidas através da PubMed.

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